Bastaram apenas duas batidas na porta do meu quarto e um "já está na hora" para eu ter que fazer o esforço de abrir meus olhos inchados de tanto dormir. Acordei com um sorriso no rosto, talvez porque eu tenho dormido o suficiente ou porque o dia estava realmente lindo, o que não era comum nos últimos dias, levando em conta a quantidade de vuvuzelas e foguetes infernizantes e desnecessários. porém era domingo e eu estava feliz por terem me acordado. Naquele dia algo não estava muito certo. Não me assustei ao me ver refletida no espelho do banheiro e falei um "tudo bem" quando me pediram para cortas a grava em pleno domingo. Eu estava feliz por ver a minha família reunida tomando café da manhã, confesso que á tempo não me sentia assim. Antes de ontem por exemplo, eu reclamava de meus cadarços desamarrados. Ontem, do café frio que a minha mãe, com todo amor naqueles olhos verdes embaçados havia feito e posto a mesa. Mas hoje foi diferente, acordei e percebi o quanto é bom ver as flores brotando no canteiro aqui de casa e das já floridas do canteiro da vizinha, os pingos de chuva caindo das nuvens e escorrendo pelas copas das árvores como quem acaricia o rosto do amado cm zelo e ternura. Olhar para o lado e ver que não é preciso ter prédios em um aglomerado de carros lotando as ruas da cidade, apenas uma pequena estrada, ver o sorriso simples que se estampam e rostos inocentes, tal como de minha irmã caçula, pelo simples falos de brincarmos de pique-esconde ou de cocegas, de sentir o abraço protetor de meu pai (que a muito tempo não sentia) de sentar ao lado de amigo e soltar gargalhada de historias e piada, mesmo que não sejam engraçadas.
Se você me perguntar o porque de eu só perceber hoje o quão gratificante é acordar em um domingo de manhã com o sol batendo na cara, e respondo que talvez seja por que eu saiba que quando eu for até a sala, vou encontrar as pessoas que mais amo sentadas ali, preparadas para me dar um bom dia, pois elas sabem que tem tudo para ser um ótimo dia só pelo fato de estarmos juntos, de eu acordar e saber quetem alguém aqui pertinho de mim, capaz de me ouvir e conversar sobre meu dias, de me fazer bem.
Sinto ao meu redor o cheiro gostoso da terra molhada, a harmonia da família, o canto doce dos pássaros e a simplicidade, que é tanta, e que passa despercebida. E então perceber que o lugar conte vivo não é um local em si, e sim o que me cerca.
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