sábado, 6 de dezembro de 2014
É vazio sem você.
Amar você é como amar as estrelas. Aliás, sempre tive costume de me encantar por tudo que esta longe. Essa sua falta passa como um trator e esmaga tudo, e essa dor não se cansa de doer. Pois é peão, dessa vez o cavalo acelerou e me deixou cair. Ando pela cidade pensando, é vazio sem você. E não há remédio para memórias.
Drama mexicano.
E se eu morresse
agora? Eu não andaria mais pelas ruas da cidade, não pegaria mais aqueles
ônibus e não sorriria para alguns estranhos simpáticos. Eu não atenderia os
telefonemas dos meus pais, nem responderia as mensagens dos meus amigos. Eu não
iria mais encontrar com as pessoas com quem estudo, não tiraria mais dúvidas
com os professores e não sairia mais para beber no bar. Ninguém jamais voltaria
a ouvir uma só palavra minha, e as músicas que tocarão nas rádios causariam
angustia para quem já as ouviu de mim. Ninguém voltaria a presenciar meus ataques
de risos espontâneos, e o som da minha gargalhada se calaria para sempre. Nunca
mais poderia eu reclamar da vida, do que me falta ou do que me faz mal. Alguém
de repente passaria a apreciar os meus surtos? Irá alguém dizer que preferiria
mil vezes me ouvir reclamar a presenciar o barulho do meu silêncio? Depois de
uma semana, quando passarem em frente a minha casa, lembrarão que foi ali que
vivi? Lembrarão de mim?
Há qualquer coisa dentro de mim que me magoa.
Tem
coisa mais parecida com o amor do que a morte? Não, não me olhe com esse desvio, como quem diz
"A madrugada é fria assim como você, menina". Não faz assim,
não me faz sentir culpa de tudo que devia ter feito. Não tenho culpa se você
fez dessa situação uma ilusão amorosa, a qual, favorecia apenas um de nós. Não
posso me submeter a algo que não me faz feliz apenas por luxo alheio, é
desumano. Me perco em todas as vezes em que me disse que o orgulho me
faria explodir de saudade, não engane a si mesmo, quem não ama não sente falta
alguma. Eu nunca estive lá por você, mas você sempre esteve la por
mim. Somos água e óleo, indiscutivelmente perdidos numa mistura insolúvel. Que
espécie de veneno é esse que corroí o melhor dentro de nós deixando apenas a
casca? Deve ser a falta de vontade de fazer o outro feliz. Ou então é aquele
meu defeito de fábrica, o bloqueio com que eu nasci, que me faz achar
banal todo tipo de demonstração de afeto. A única coisa que você pode
fazer por mim é tapar o meu nariz, tem cheiro de tristeza no ar.
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