E se eu morresse
agora? Eu não andaria mais pelas ruas da cidade, não pegaria mais aqueles
ônibus e não sorriria para alguns estranhos simpáticos. Eu não atenderia os
telefonemas dos meus pais, nem responderia as mensagens dos meus amigos. Eu não
iria mais encontrar com as pessoas com quem estudo, não tiraria mais dúvidas
com os professores e não sairia mais para beber no bar. Ninguém jamais voltaria
a ouvir uma só palavra minha, e as músicas que tocarão nas rádios causariam
angustia para quem já as ouviu de mim. Ninguém voltaria a presenciar meus ataques
de risos espontâneos, e o som da minha gargalhada se calaria para sempre. Nunca
mais poderia eu reclamar da vida, do que me falta ou do que me faz mal. Alguém
de repente passaria a apreciar os meus surtos? Irá alguém dizer que preferiria
mil vezes me ouvir reclamar a presenciar o barulho do meu silêncio? Depois de
uma semana, quando passarem em frente a minha casa, lembrarão que foi ali que
vivi? Lembrarão de mim?
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